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o abandono das terras permite a sua destruição por incêndios.

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Uma florzinha em memória de José Saramago

jose saramago

A Solidariedade com o Povo Saharaui e o Povo do Sahara Ocidental jamais o esquecerão

Mohamed Abdelaziz presta homenagem ao escritor e ao homem

"La alegoría es una necesidad para todo el mundo en los tiempos que corren (...) Con ella no fundamento ni invento nada, soy apenas alguien que se limita a levantar una piedra y poner a la vista lo que está debajo. No es mi culpa si de vez en cuando me salen monstruos"

José Saramago, Discurso de Investidura de Doutor Honoris causa pela Universidade Autónoma de Madrid, 2007

José Saramago com a activista saharaui Aminatou Haidar, durante a sua greve de fome

A morte do escritor e militante da causa dos pobres e desprotegidos José Saramago encheu de pesar todos aqueles que com ele conviveram, ou que simplesmente admiravam a sua integridade de carácter e a sua coragem para denunciar aquilo que considerava injusto, fossem quais fossem as consequências.

 

Apesar do seu já precário estado de saúde José Saramago foi a voz corajosa que clamou em defesa da activista Aminatou Haidar, durante a sua greve de fome de 32 dias no aeroporto de Lanzarote, reclamando o direito a regressar à sua terra natal – El Aiun, no Sahara Ocidental ocupado, — depois de ter sido expulsa pelas autoridades marroquinas com o conhecimento, senão mesmo com a cumplicidade, do Governo de Madrid.

Disse então José Saramago:

“Acredito que o planeta a todos pertence e todos temos o direito ao nosso espaço para poder viver em harmonia. Creio que os separatistas são todos aqueles que separam as pessoas da sua terra, as expulsam, que procuram desenraizá-las para que, tornando-se algo distinto do que são, eles possam alcançar mais poder e os que combatem percam a sua auto-estima e acabem por ser tragados pela irracionalidade.

Marrocos em relação ao Sahara transgride tudo aquilo que são as normas de boa conduta”.

 

A Associação de Amizade Portugal – Saharaui manifesta a sua gratidão a José Saramago e presta a mais sentida homenagem à sua memória, expressando à sua família, em particular a sua esposa, Doña Pilar Del Rio, a mais calorosa e sentida fraternidade.

 

Secretário-Geral da Frente Polisario e Presidente da RASD

expressa condolências pelo falecimento de José Saramago

 

Bir Lehlu (territórios libertados), 19/06/2010(SPS).- O presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Mohamed Abdelaziz, enviou ontem uma carta de condolências à viúva do escritor português e Prémio Nobel José Saramago.

Texto integral da carta:

 

Doña Pilar Del Río

Município de Tías (Lanzarote)

Espanha

 

Bir Lehlu, 18 de Junho de 2010

 

 

Minha querida Senhora e amiga,

Foi com profunda tristeza que recebi hoje a notícia do falecimento do seu esposo e grande amigo, José Saramago. É certamente uma perda irreparável, no só para si e sua família, mas para toda a Humanidade.

José Saramago deixa uma marca indelével na história da literatura, do jornalismo e da poesia, mas sobretudo será recordado como intelectual nobre e de princípios inquebrantáveis. O seu compromisso permanente pela verdade e pela razão “num mundo onde o engano é o rei da terra”, segundo as suas próprias palavras, converteram-no num símbolo para todos os defensores das causas justas.

O povo saharaui recorda ainda e recordará para sempre o seu apoio incondicional à nossa luta pela autodeterminação e pelos direitos humanos. Nunca esqueceremos esse gesto de grandeza que significou a sua presença e o seu apoio à activista saharaui Aminatu Haidar, durante a sua greve de fome em Lanzarote e os esforços que pessoalmente desenvolveu para que regressasse a sua casa, dignamente, de cabeça levantada e sem renunciar às suas legitimas reivindicações.

O falecimento de José Saramago é, sem dúvida, uma grande perda para o povo saharaui. Em seu nome, no do Governo Saharaui e da Direcção da Frente POLISARIO, quero expressar-lhe as nossas mais sentidas condolências.

Atentamente

Mohamed Abdelaziz.

 
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